Entrevista com Markus Zusak, autor de A Menina que Roubava Livros

Por Gabriel Utiyama em 11/11/2013 às 18h00

Markus Zusak, autor do livro A Menina que Roubava Livro, está muito animado com a adaptação cinematográfica que logo mais chega aos cinemas do mundo inteiro. Contando com a direção de Brian Percival e estrelando Geoffrey Rush, Emily Watson e Sophie Nélisse, o filme tem data de estreia no Brasil marcada para 31 de janeiro de 2014.

Em entrevista para o site Word & Film, o autor fala sobre suas expectativas para o filme, as dificuldades de adaptar o livro para um roteiro de filme e como foi trabalhar com os atores. Traduzimos essa entrevista e você pode conferir logo abaixo, após o trailer.

W&F: O que você espera que as pessoas que já leram o livro e estão relendo [por causa do filme] percebam ou tirem da sua obra nessa segunda leitura?

Markus Zusak: Eu realmente não sei. Talvez seja como qualquer livro que eu pego para ler uma segunda vez – geralmente tenho boas surpresas com trechos ou imagens mentais que eu já esqueci. Pode ser também um entendimento diferente de um momento do início do livro depois que você já sabe o que acontece na segunda metade. Eu acho que, em uma segunda leitura, você consegue apreciar melhor os detalhes uma vez que já está familiarizado com a história.

W&F: E o que você espera que aqueles que não leram o livro mas que assistirão ao filme sintam?

Markus Zusak: Espero que eles se sintam como eu me senti, pois eu comecei a escrever esse livro com a intenção de que ele significasse algo para mim, mas acabou que ele significa absolutamente tudo para mim agora. Eu praticamente morri escrevendo A Menina que Roubava Livros, principalmente o final, então espero que as pessoas consigam sentir a profundidade do sentimento e emoção que eu coloquei na obra.

W&F: Como você acha que foi a performance de Sophie Nélisse – relativamente novata no mundo dos filmes – como Liesel Meminger? Existiu algum momento em particular onde você a viu se transformar completamente na personagem?

Markus Zusak: Ela pareceu ter o espírito exato da Liesel, do começo ao fim. Já se tratando de algum momento especial, houveram muitos. Mas acho que um que ficou mais marcado para mim é quando, após uma queima de livros, a Liesel abraça Hans e ela não quer soltar do abraço. Aquele momento, pra mim, foi quando o filme me convenceu completamente e me raptou em uma onda de excitação – e eu fiquei mais do que feliz apenas seguindo essa onda.

W&F: Qual foi o momento mais difícil no processo de adaptação do livro para o filme para você, como autor?

Markus Zusak: A parte mais difícil é precisar me relembrar constantemente que o filme e o livro se tratam de coisas complemente diferentes. Eu não escrevi o roteiro. O filme não é uma representação do livro; o filme é uma representação de si mesmo, deixando o livro em segundo lugar – e é assim que precisa ser. Nesse sentido, é até difícil me focar no meu próximo livro, porque agora não há apenas o livro A Menina que Roubava Livros no meu passado, mas o filme também. É um momento muito animador, óbvio, mas também um grande desafio poder dizer ‘Bom, qual é meu trabalho, no fim?’ e ter a resposta de que é continuar escrevendo. É produzir um novo livro que signifique tudo para mim, então é esse meu objetivo agora.

W&F: Você pode nos contar quais suas adaptações cinematográficas de livros favoritas?

Markus Zusak: Existem tantos... mas os quatro que pipocaram na minha mente agora são “Os Commitments – Loucos pela Fama”, “Alta Fidelidade”, “Ghost World – Aprendendo a Viver” e “O Paciente Inglês” (esse, especificamente, eu tenho um amor enorme tanto pelo livro quanto pelo filme, por motivos muito diferentes).

W&F: Quais seus próximos passos na carreira?

Markus Zusak: Ainda estou trabalhando firmemente no meu próximo livro, “Bridge of Clay” (tradução livre: Ponte de Argila). A piada é que ele estará pronto em algum momento desse século, mas estou tentando trabalhar um pouco mais rápido. Eu estou muito feliz escrevendo-o, mas acho que vou ficar ainda mais feliz quando ele estiver pronto.

Gabriel Utiyama - Editor
Publicitário, crítico de obras literárias, conselheiro para homossexuais perdidos e gamer de coração. Parece simpático, mas possui uma intolerância à burrice que só não é maior do que seu amor por cultura inútil. Tem aracnofobia, é erisianista discordiano e pode ter algum nível de DDA, mas nada que... olha, uma bala!


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